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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

AS CHARQUEADAS


Incorporada à Coroa Portuguesa somente no século XVIII, a região sul do Brasil foi paulatinamente ocupada por meio do descumprimento dos limites do tratado de Tordesilhas. Exploradores de toda espécie e, principalmente, jesuítas foram fundamentais para que essa região fosse economicamente ativa. Por muito tempo, os espanhóis temiam a presença lusitana na região por causa de sua grande proximidade com as áreas de mineração do Rio da Prata.

A partir da segunda metade do século XVIII, o território sulista se transformou em um grande polo pecuarista. Tal atividade se desenvolveu graças ao relevo plano, a rica pastagem natural que permitia a criação de gado em larga escala. Em um primeiro momento, a produção de couro foi fomentada para se atender as demandas da metrópole. Posteriormente, com o enfraquecimento da pecuária no Nordeste, observamos a produção e o comércio do charque, também conhecido como carne seca.

Carregado no lombo de mulas, o charque tinha destaque no mercado alimentício interno. Por conta das grandes dificuldades de transporte da época, a conservação dos víveres se tornava uma tarefa muito complicada. Nesse aspecto, o charque levava enorme vantagem por ser um produto que resistia bem ao processo de deterioração da matéria orgânica. Com o aumento dos centros urbanos, principalmente por conta da atividade mineradora, o charque passou a ser produzido em grandes quantidades.

Ao sustentar a demanda alimentar de outras regiões, o charque foi sendo agente responsável na consolidação de grandes centros urbanos no sul do Brasil. Além disso, também podemos assinalar a formação de uma enriquecida elite pecuarista que desenvolvia e controlava as charqueadas no interior de suas propriedades. Paralelamente, uma significativa quantia de escravos era explorada para que o lucro com a atividade crescesse de forma exponencial.

A importância dessa atividade econômica chegou a motivar o desenvolvimento de uma das mais agressivas rebeliões do Período Regencial. Em meados de 1830, os estancieiros gaúchos cobravam medidas do governo para que a concorrência dos países vizinhos fosse diminuída. Apesar da demanda, o governo brasileiro se negou a atender ao pedido dizendo que os preços do charque e do couro gaúcho eram abusivos.

Sentindo-se menosprezados pelo governo central, as elites pecuaristas organizaram tropas e realizaram a conquista das províncias do Rio Grande do Sul e Santa Catarina durante a chamada Revolução Farroupilha. Entre 1835 e 1845, o governo brasileiro e os farrapos travaram violentos conflitos que desgastaram ambos os lados. Após negociações, as divergências políticas foram sanadas com a assinatura do Tratado de Ponche Verde.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

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